VAZA-JATO: El País e TIB expõem racha entre Lava-Jato e PGR

Depois de trazer a público as estratégias dos membros da Força-Tarefa da Lava-Jato contra ministros do Supremo Tribunal Federal, as reportagens do The Intercept Brasil (TIB) e seus parceiros mostram a insatisfação dos procuradores com a atual Procuradora Geral da República.

É fato que Raquel Dodge, em sua gestão, não tratou os assuntos da Operação Lava-Jato como seu antecessor Rodrigo Janot. Menos colaborações premiadas, pedidos de novas investigações mais criteriosos, atuação menos espetaculosa.

Não que não tenha cometidos seus deslizes, mas o que importa é que a atuação da PGR desagradou os membros da Lava-Jato que atuavam em primeira instância. E não só críticas foram feitas, como Deltan chegou a sugerir medidas para pressioná-la, inclusive “em off” plantando notas na imprensa.

E, ao que tudo indica, a tática prevaleceu, como suspeitou a própria Dodge, que encaminhou reportagem crítica ao seu mandato a Deltan Dalagnol, o qual então negou qualquer relação com a matéria.

A relação parece ter azedado de vez quando a PGR atuou contra a Fundação que seria criada pelos membros do MPF com os recursos pagos pela Petrobrás a título de reparação aos EUA: “quando a gente acha que RD (Raquel Dodge) já desceu até o fundo do poço, descobrimos que ainda tem um pouco mais pra descer”, teria dito Laura Tessler.

As mensagens dessa semana definitivamente são as mais relevantes desde o início das reportagens, ao contrário do que anunciaram os porta-vozes da Operação. Não só pelo seu conteúdo, mas por colocarem no papel de alvo as mais relevantes autoridades do Judiciário nacional. Talvez por isso, Raquel Dodge e 10 dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal se posicionaram rápida e firmemente contra a transferência de Lula para o presídio de São Paulo.

O timing da divulgação é perfeito, no mês de setembro, pois Dodge terá o poder de dar (ou não) continuidade à Força-Tarefa. Ainda que a renove, o desgaste de Moro diminui as chances de Bolsonaro nomear um PGR plenamente alinhado com a Lava-Jato. Tendo conhecimento do que se passa entre os membros, qual a chance do novo chefe do Ministério Público Federal confiar em seus “(in)subordinados”?

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