VAZA-JATO: Sérgio Moro protegeu FHC da Lava-Jato

A parte 7 da “Vaza-Jato“, a operação jornalística do site de Glenn Greenwald que vem expondo as mentiras da operação dos departamentos de Estado e de Justiça dos EUA e seu braço interno dentro das corporações judiciais do Brasil, trouxe informações novas constrangedoras para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Um belo presente de Glenn para FHC no dia de seu aniversário, hoje o responsável pela consolidação do neoliberalismo no Brasil completa 88 anos.

Após diversas mensagens que demonstraram a participação do ex-juiz Sérgio Moro na formulação das estratéicas jurídicas e midiáticas da força-tarefa do Ministério Publico Federal do Paraná para prender o ex-presidente Lula, dessa vez, Moro aparece deliberadamente protegendo FHC. E o mais chocante, dessa vez sequer tratava-se de um processo de sua competência (não que isso seja problema para o homem que admitiu na sentença de Lula que o caso não tinha nada a ver com a Petrobras).

Segundo a fonte do Intercept, Moro enviou mensagens privadas para Deltan Dallagnol, o coordenador da força-tarefa, cobrando explicações sobre a abertura de investigações contra mal-feitos de FHC quando ele era presidente nos anos 1990, fatos que, aliás, já estariam prescritos. Dallagnol supõe que a ideia de quem abriu tal investigação seria mostrar imparcialidade. Já Moro achou questionável… Pois “melindra alguém cujo apoio é importante”…

O que a Vaza-Jato está mostrando é justamente a violência ilegítima em forma de lawfare utilizada pela Lava-Jato para condenar inimigos. Talvez o ataque a FHC para mostrar “imparcialidade” fosse ilegítimo também, afinal de contas, ninguém é culpado até se prove o contrário. O fato é que a política nacional como conjunto passou a ser o alvo da Lava-Jato. Mas alguns deveriam ser protegidos, seja de ataques ilegítimos seja de investigações sobre fatos reais. Para Sérgio Moro sequer vale a máxima do arbítrio: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”, no caso dos inimigos da Lava-Jato, nem mesmo a lei deve ser aplicada.

Confiram a íntegra da matéria do Intercept e dos diálogos.

Ademais, a panela está esquentando devagar. A oposição não tem força para derrubar os golpistas “articulados com os americanos”, segundo mensagens deles mesmos sobre os acordos de cooperações internacionais secretos absolutamente à margem da lei, e age com cautela no Congresso. Setores mais histéricos da esquerda e do nacionalismo já saem por aí acusando Greenwald de ser também um agente dos americanos em prol do fechamento do regime ao trazer a verdade à tona de forma deturpada ou restrita.

Evidentemente ninguém é neutro, e o jogo geopolítico em torno de vazamentos de inteligência dessa magnitude são mais complexos do que as disputas locais. O fato é que as informações estão aí, e o Intercept está fervendo a água da Lava-Jato devagar até pela dificuldade de lidar com tantas informações, assim como os vazamentos de Edward Snowden duraram 6 meses antes de ele revelar sua identidade, e as matérias eram feitas por diversos jornalistas de diferentes jornais pelo mundo, como o The Guardian na Inglaterra, The Washington Post e New York Times nos EUA, e até a Folha de São Paulo para os casos referentes ao Brasil.

Novamente é este o método. Não há nenhuma incoerência na forma de conduzir os vazamentos, inclusive a parceira com a Folha se repete. A Globo, como é de se esperar, se alinha aos interesses do corporativismo autoritário judicial. A Aliança do Coliseu continua unida. O volume de dados da Vaza-Jato é gigantesco e tende a assombrar lavajateiros por  muito tempo, assim como era e continua sendo o arsenal das delações vazadas e das espionagens conduzidas pelas Lava-Jato.

Os grampos condenados pelo falecido ex-relator da Lava-Jato no STF, Teori Zavascki, tiravam o sono de presidentes e ex-presidentes. Agora, as mensagens, áudios, e documentos anexos de Telegram tiram o sono de procuradores, juízes e de um ex-juiz em particular… Parece que o jogo se não virou, pelo menos está a caminho do empate…

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