MARINGONI: Vírus chinês, peste gay, serviço de preto…

Por Gilberto Maringoni – A estigmatização da Covid-19 como “vírus chinês” é óbvio diversionismo racista-ideológico, incentivado em tempos de guerra comercial. É rótulo semelhante ao da Aids, nos anos 1980 – classificada como “peste gay” -, ao da “gripe espanhola” há cem anos, à denominação de “mongolismo” – estigma da síndrome de down – e a “serviço de preto”, ainda falado Brasil afora.

Quando o novo coronavírus chegou à Europa via Lombardia, em meados de fevereiro, italianos chegaram a ser discriminados em restaurantes na Alemanha, acusados de serem vetores da doença.

Ao invés do conhecimento objetivo, vem a calhar a segregação, a estigmatização e o isolamento. Assim se politiza interessadamente um problema para não resolvê-lo. Assim, ele pode ser transformado em preconceito e em arma contra o inimigo da hora. É como chamar uma criança de zarolha, perneta ou cabelo de bombril. Quebra-se a moral do outro com um mero apelido para tirá-lo do caminho, da vaga na escola, da oportunidade de emprego e do respeito entre seus iguais.

O que Bolsonaro e Trump fazem é muito mais do que disseminar inverdades. Trata-se de implantar a confusão e criar agendas aleatórias de fácil apelo em seus próprios países. Com isso, problemas reais – pobreza, violência, desigualdade etc. – seguem existindo como objetos da paisagem nem feios nem bonitos, nem incômodos e nem virtuosos. Tornam-se apenas naturais e aceitos por todos, como 160 mil mortos, ou como negar dinheiro para o auxílio emergencial.

Quando enfim aparece um medicamento cuja comercialização prejudica interesses outros, não é preciso muita coisa para incluí-lo no roteiro da negação imediata. Basta chamá-lo de vacina chinesa.

Por: Gilberto Maringoni.

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