Visitando a Pátria Grande

De um modo geral, o brasileiro odeia e desconhece a cultura dos outros povos da América Latina. Sempre com o vício de emular europeus e norte-americanos, o Brasil se afasta cada vez mais da “Pátria Grande”, sempre pintada como uma zorra comandada por “ditadores comunistas”.

A realidade, entretanto, é bem diferente. Estive na Bolívia há uns quatro anos e pude conversar um pouco com a população sobre Evo Morales. O que me chamou a atenção foi a extrema politização do povo boliviano: um taxista sabia taxas de vitória de Evo em cada uma das regiões do país e me explicou como a distribuição demográfica e as rupturas econômicas contribuíram para que a classe industrial, antes desconfiada de um presidente nativo, exercesse um tímido apoio nas urnas. Quando comentei que a imprensa brasileira enxergava Evo como um ditador, o taxista ficou bastante surpreso e ofendido e disse que o povo boliviano jamais aceitaria “um Maduro” em seu país.

Com a vitória de Bolsonaro, a propaganda contra a América Latina ficou ainda mais intensa. O presidente, conhecido por seu baixo quociente intelectual, já disse que não tem interesse em alianças com os países da América Latina e vive a zurrar bobagens sobre os médicos cubanos, as eleições argentinas.

A direita brasileira se aproveita da ignorância geral da população sobre o continente e espalha o “medo socialista”, desprezando diferenças locais entre os diversos regimes. Por outro lado, a esquerda vende um grande balaio de gato e alinha a gestão de um Rafael Correa- conservador nos costumes e anti-abortista- com suas próprias bandeiras.

Por Alex Sugamosto

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