Jones Manoel e Breno Altman: voluntarismo ingênuo e oportunismo cínico

Diante da derrota da oposição na eleição para Presidência da Câmara dos Deputados, após ter apoiado Baleia Rossi do MDB patrocinado por Rodrigo Maia, os arautos do radicalismo esquerdista comemoram: “Eu avisei!”. Dos deputados cujo radicalismo expressa o “patriotismo” de mandato sempre em busca da reeleição dentro do nicho da classe média de esquerda, aos youtubers das seitas sem representação política como Jones Manoel do PCB, todos anunciam com grande alarde a derrota da ‘frente ampla’. Mas há ainda um terceiro interessado cínico nessa narrativa, o radicalismo oportunista do PT, buscando sair do isolamento divulgado pelo braço de comunicação de José Dirceu, Breno Altman. O experiente jornalista atua como porta-voz mobilizador da militância petista para combater uma frente ampla na qual o PT está isolado, enquanto o ainda mais experiente ex-ministro-chefe da Casa Civil atua para reconstruir uma outra frente ampla sob controle do PT.

Jones Manoel e o voluntarismo ingênuo do radicalismo retórico

Como já disse em outras ocasiões, Jones Manoel é um disciplinado propagandista da história do movimento comunista e divulgador de importantes teorias como a Teoria Marxista da Dependência. Porém, quando ele se arrisca a fazer análises de conjuntura muito profundas sobre acontecimentos concretos da política nacional, invariavelmente, expressa um voluntarismo ingênuo de quem não participa do jogo real da correlação de forças.

Ora esse voluntarismo vai no sentido do politicismo, de considerar que apenas há desenvolvimento, rompimento da dependência e enfrentamento ao imperialismo quando quem comanda o processo histórico são os comunistas como na Rússia de 1917 e na China de 1949, deixando de lado a Índia de Nehru, a Coreia do Sul do General Park, e mesmo a Argentina de Perón e o Brasil de Vargas, estes dois últimos, meros burgueses “permitidos” pelo imperialismo no “desenvolvimento do subdesenvolvimento”. A teoria da dependência que Jones advoga retoricamente poucas vezes é sobre a teoria do valor e as cadeias produtivas e financeiras de transferência de mais-valor da periferia para o centro, mas sobre a “vontade da burguesia” de industrializar o país e distribuir renda ou não. Já a industrialização e a distribuição de renda capitalista no Oriente apenas indicam a sabedoria do Partido Comunista Chinês de deixar os capitalistas desenvolverem as forças produtivas daquele país, para em seguida prender bilionários muito poderosos. Mas essa sabedoria é exclusiva dos comunistas, e não pode ser atribuída aos ‘desenvolvimentistas subimperialistas’ da Coreia do Sul nem aos soberanistas reacionários da Rússia contemporânea do neoconservador Vladimir Putin, quando perseguem seus empresários corruptos, nacionalizam setores estratégicos e realizam acordos internacionais alternativos aos organismos multilaterais controlados por Europa e EUA.

Ora esse voluntarismo vai no sentido do economicismo, de considerar que as forças políticas concretas, os presidentes, parlamentares, partidos, e etc., são mera correia de transmissão dos interesses de uma fantasmagórica “burguesia” que encena o teatro político para enganar o povo e a “esquerda reformista”. Esse é o caso das críticas de Jones à caricatura que ele faz da política de “frente ampla”. Aliás, ele sempre defende seus ídolos, como os teóricos marxistas da dependência, ou mesmo os clássicos como Marx, Lênin, Stálin, Trótski, e etc., acusando os críticos de fazerem caricaturas do pensamento dessas figuras. O que eu até concordo, mas o problema é que a retórica de Jones é inteira baseada em caricaturas, anacronismos e sofismas simplistas do mesmo tipo que ele odeia quando são usados contra suas posições.

Vejamos. Jones diz: “Atualmente nenhum setor da burguesia está contra o bolsonarismo”. Ora, a Globo é exatamente o quê? Um setor da classe trabalhadora? A resposta eu já sei. “Mas a Globo é favor do liberalismo do Paulo Guedes”. Sim, claro. Porém, o governo Bolsonaro não é o liberalismo do Guedes, tampouco o ministro é o quadro preferido de consenso do cartel de bancos e do mercado de capitais. O candidato da burguesia foi derrotado em 2018, e ela teve que se submeter a um líder populista de extrema-direita e um banqueiro de segundo escalão do neoliberalismo. Paulo Guedes, na verdade, é um especialista em rapinagem do Estado e não na construção de políticas econômicas de longo prazo planejadas pela burguesia financeira, como Armínio Fraga, Henrique Meirelles ou Marcos Lisboa. Apesar de seu treinamento em Chicago e no Chile de Pinochet, ele não galgou as grandes posições na formulação do capital financeiro para o Brasil, mas convenceu um candidato outsider que poderia levar sua candidatura aos salões da burguesia, mesmo que pela porta dos fundos.

Inclusive, o maior entrave às reformas neoliberais do ministro da Economia tem sido justamente a base eleitoral do bolsonarismo, e não apenas das corporações públicas intensamente sindicalizadas. Claro que esses setores têm um peso enorme, aliás, Bolsonaro começa sua carreira como um “sindicalista” militar, inimigo mortal do alto comando do Exército e, atualmente, mantém uma política de mobilização permanente das bases das polícias militares em torno de sua popularidade, enquanto humilha frequentemente os generais corporativistas que comprou com gordos salários e a promessa de garantia de seus privilégios e pensões.

Mas além da resistência corporativista do setor público aos cortes orçamentários de suas remunerações, existe na esquerda em geral uma imensa incompreensão do bolsonarismo como fenômeno populista que expressa interesses populares reais, de insatisfação, ressentimento e afetos da população mais pobre. Esse povo não é apenas enganado pelo fascismo malvadão do Steve Bannon, mas enxerga em Bolsonaro um líder legítimo de suas aspirações concretas. Mas vamos deixar de lado esse aspecto mais ideológico da ascensão da nova extrema-direita no Brasil e no mundo, assunto que já tratei em “Crise do Pós-Modernismo e ascensão da Revolta Irracionalista”, para lidarmos com os aspectos diretamente ligados à negação da frente ampla, segundo Jones, fadada sempre ao fracasso.

Jones elenca alguns fatos históricos para comprovar sua tese de que a burguesia está com o Bolsonaro, portanto, uma frente ampla contra a extrema-direita é impossível. Por exemplo, o fim da Ditadura Militar através de uma frente ampla pela democracia só teria sido possível porque a burguesia assim decidiu. Ora, isso também não quer dizer nada e Jones incorre em uma “análise institucionalista e superficial” como ele acusa, e que além de tudo, está errada. A frente ampla contra a ditadura efetivamente fracassou, e Jones sequer foi capaz de utilizar esse fato a seu favor em sua disputa retórica contra os partidos de centro-esquerda.

O primeiro movimento de frente ampla foi realizado ainda no exílio logo após o golpe, nos encontros entre João Goulart, Carlos Lacerda e Juscelino Kubistchek.  Em 1968, houve a famosa Marcha dos 100 mil, que mobilizou diversas entidades da sociedade civil e anunciava uma jornada de comícios e manifestações contra a Ditadura. Com a decretação do A.I.5, a Ditadura endureceu a repressão debelando todas as iniciativas de frente ampla, inclusive com o assassinato das maiores lideranças nacionais, do deputado trabalhista Rubens Paiva sequestrado e torturado, à encenação do acidente automobilístico que matou Juscelino.

Após 21 anos de regime militar, o movimento pelas Diretas Já que reuniu Tancredo Neves, Brizola, Lula, Ulysses Guimarães, FHC, Covas, Montoro, Orestes Quércia, e etc., também foi derrotado. O fim da Ditadura foi um rearranjo negociado com os militares na transição lenta, segura e gradual de Golbery do Couto e Silva.  José Sarney migrou da Arena para ser vice de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral do Congresso Nacional, e não foi a frente ampla que elegeu os dois, foi justamente um embrião do que se chama atualmente de Centrão, que de acordo com a bibliografia mais especializada teria sido consolidado durante a Constituinte de 1987/88 para expressar os interesses daqueles deputados que não participam dos conchavos das reuniões dos líderes partidários. Inclusive a esquerda em ascensão e de registro eleitoral permitido por Golbery antes do trabalhismo de Brizola ficou contra, como gosta de lembrar Breno Altman com um orgulho sectário. O fim da Ditadura expressou uma transição política da crise do fordismo para o pós-fordismo no Brasil controlada pelos militares para impedir a volta do inimigo central do imperialismo derrubado em 1964, o populismo trabalhista liderado por Leonel Brizola.

Entre a derrota da emenda das Diretas e as eleições de 1989 não houve frente ampla. A esquerda se dividiu e se trucidou internamente, com a oposição do PT ao governo Brizola no Rio de Janeiro e a candidatura de Darcy Ribeiro como sucessor, permitindo a eleição de Moreira Franco do MDB. Na eleição presidencial, Brizola propôs a frente ampla, com a renúncia da sua candidatura e de Lula para apoiar Mario Covas do PSDB no segundo turno, que efetivamente poderia atrair o centro e vencer Fernando Collor. Lula manteve sua candidatura natimorta para consolidar o PT como maior partido da esquerda e enterrar o trabalhismo de Brizola. Até aí, tudo bem, eu considero legítima a estratégia do PT de buscar sempre a sua consolidação ao invés de composições amplas pelo interesse nacional, porém, é preciso contar a história corretamente e apontar os interesses partidários que motivam suas decisões estratégicas.

Após a consolidação do neoliberalismo, Jones cita uma suposta frente ampla para eleger Lula em 2002 com José Alencar de vice. Nesse caso ele até tem razão se estiver falando apenas do segundo turno quando houve forte atração do centro e da esquerda para Lula, mas, novamente, sua fundamentação é economicista, pois apesar de ser um capitalista, José Alencar não tinha absolutamente nada a ver com ‘frente ampla’. O vice de Lula era um empresário do ramo têxtil em Minas Gerais rebelde à hegemonia do capital financeiro sediado em São Paulo que influenciava tanto o PSDB como o PT na defesa do ajuste fiscal e assistencialismo do Consenso de Washington nos anos 1990. Inclusive, durante o governo de Lula, ele estava gritantemente à esquerda do PT, exigindo planejamento econômico, investimento público, políticas industriais, e principalmente, criticando duramente a política fiscal do ministro da Fazenda Antônio Palocci e a política monetária levada a cabo pelo até então tucano, Henrique Meirelles, nomeado presidente do Banco Central por Lula.

Além disso, no primeiro turno não houve frente ampla nenhuma. Pela esquerda, o novo Lulinha Paz e Amor, agora com sua máquina partidária e sindical consolidada pelas experiências do “Governo Paralelo” e das “Caravanas da Cidadania”, arrastava multidões com seu projeto assistencialista de um mítico operário apoiado pela intelectualidade universitária de São Paulo. Com um marketing sofisticado e altos índices de intenção de votos, Lula arrecadou milhões entre os empresários e contratou o publicitário baiano Duda Mendonça que teve a proeza de eleger Paulo Maluf e o terrível sucessor Celso Pitta como prefeitos de São Paulo. O jovem Ciro Gomes liderava a Frente Trabalhista com apoio de Brizola e de algumas dissidências oligárquicas, como a de ACM na Bahia. Ainda havia a candidatura de Anthony Garotinho pelo PSB, que rompeu com Brizola governando o Rio de Janeiro e elegeu sua esposa como sucessora.

Pela direita, José Serra, o candidato tucano do governo, era o escolhido do capital financeiro e da grande mídia, assim como Geraldo Alckmin foi em 2018, e teve de utilizar as armas de um pré-lavajatismo (que só seria consolidado mesmo pelo PT) para derrubar a candidata Roseana Sarney, que tinha o apoio das oligarquias nordestinas e era franca favorita a ir ao segundo turno pela direita liderando todas as pesquisas. Com seu latifúndio de tempo de televisão, muito dinheiro para showmícios, que ainda eram permitidos, e palanques regionais governistas, mas também na base da baixaria apócrifa no que se chama “labo B” das campanhas eleitorais, Serra derrubou não apenas Roseane, como Ciro que também brigava por uma vaga no segundo turno no começo da eleição.

No segundo turno, efetivamente, houve uma convergência de forças, de centro-direita à centro-esquerda a favor de Lula, devido não apenas sua extraordinária popularidade e a rejeição ao desastroso governo do PSDB, como à sua submissão ao capital financeiro expresso na Carta ao Povo Brasileiro. Mas mais importante do que isso, foi a capacidade de Lula e José Dirceu de articularem as forças políticas em torno de um projeto de poder alternativo ao PSDB, ainda que dentro dos marcos macroeconômicos do neoliberalismo. Foi essa alternância de poder e suas nuances de esquerda no espectro político que atraíram o apoio de Brizola e Ciro Gomes, por exemplo, o primeiro traído e impedido de ser ministro, e o segundo, nomeado ministro da Integração Nacional, cargo no qual tirou do papel a gigantesca obra de transposição do Rio São Francisco. Em todas essas articulações se vê a burguesia como ator importante, mas não como ente fantasmagórico que determina o resultado eleitoral à priori como a retórica voluntarista do radicalismo ‘revolucionário’ indica.

Pois bem, o que é então a tal frente ampla atualmente criticada por Jones? O que ele pretende trazer à tona é o debate teórico-estratégico entre os marxistas da época da Internacional Comunista nos anos 1930. Existia uma querela sobre a situação dos movimentos revolucionários diante da crise imperialista e a ascensão do fascismo no mundo. Uma facção defendia uma aliança sistemática com os partidos socialdemocratas reformistas e outra defendia que isso era impossível, e que os partidos comunistas deviam organizar a classe trabalhadora para fazer a revolução contra todo o sistema político em crise. O fato é que as duas estratégias foram derrotadas na Europa. Os revolucionários foram todos presos e mortos nos regimes fascistas da Alemanha, Itália, Espanha e etc., bem como os socialdemocratas.

Não é disso que se trata a frente ampla enquanto palavra de ordem na conjuntura política brasileira de 2021, tampouco é uma tentativa de compreensão da especificidade da história da formação social do Brasil e de suas instituições de Estado, ainda que isso possa ser advogado em outros termos. É um vício de autoproclamados revolucionários que não participam da disputa pelo poder no Brasil de trazer debates anacrônicos para o debate nacional. Não existe uma “teoria da frente ampla” sendo debatida enquanto compreensão global da situação da economia política capitalista atual, mas tão somente uma palavra de ordem tática que significa apenas fazer alianças com a direita contra a extrema-direita em batalhas políticas concretas, tais como a disputa pelo comando da Câmara dos Deputados ou nas próximas eleições presidenciais.

Esse tipo de compreensão tática não precisa de formulações teóricas muito sofisticadas, é bem mais simples do que isso. Na linguagem proverbial mais infantil é conhecida como “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, e isso vale apenas para momentos concretos muito específicos, e não impõe compromissos eternos. Além disso, assim como já visto na luta pelas Diretas, a frente ampla pode ser derrotada, e isso é definido pela política e não pela teoria.

Alianças amplas foram historicamente derrotadas ou vitoriosas de acordo com as condições concretas de cada batalha. A formação social do Brasil é recheada desses exemplos, os quais o brilhante ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo, chama de Frentes Heterogêneas, justamente por tratar-se de uma frente que une diferentes e não iguais. Aliança é sempre com aquele que é diferente, que ocupa outro espaço na configuração da sociedade.

A Independência do Brasil foi feita em uma aliança entre parte da corte portuguesa, que migrou para a colônia para fugir da França de Napoleão, e os colonos liberais inspirados pela Revolução Francesa e pela Revolução Americana que deu a Independência dos EUA, após três décadas de colonização, quando essa gente que já vivia e dependia desta terra e cada vez menos dos produtos enviados por Lisboa. No contexto da guerra interimperialista entre britânicos donos dos mares e franceses em ascensão no continente europeu, os fundadores do Brasil, Dom Pedro I e José Bonifácio, criaram uma nação gigantesca em território e povo unificado, ao contrário dos caudilhos libertadores da América Espanhola. Posteriormente Bonifácio foi exilado, e Dom Pedro teve de voltar para travar uma guerra civil em solo português para redefinir a posição de Portugal na correlação de forças europeias entre o liberalismo ascendente pró-imperialismo inglês e o absolutismo que exigia a volta das colônias e dos privilégios feudais.

No final do Segundo Reinado, os filhos da elite escravocrata, mas educados pelo iluminismo em ascensão na Europa; os militares republicanos sedentos pelo poder após a Guerra do Paraguai; e, principalmente e obviamente, os escravos na luta pela abolição; impuseram à monarquia em crise o fim da escravidão em 1888, seguida pela Proclamação da República em 1889.

A Revolução de 1930, liderada por Getulio Vargas, igualmente foi a consolidação de uma aliança ampla entre dissidências oligárquicas do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais com os militares de classe média do movimento tenentista dos anos 1920 contra a República Velha comandada de São Paulo. Aliás, Getulio, assim como Dom Pedro e Bonifácio, também aproveitou uma brecha imperialista causada pela disputa entre as potências dominantes para consolidar um momento de construção nacional através da industrialização, da urbanização, dos direitos sociais, e, por fim, da criação da democracia de massas concretizando a participação do povo no poder através do populismo.

Mas para agradar os fetichistas da estética da linguagem marxista é bom lembrar a explicação dialética de Mao Tse Tung em “Sobre a Contradição” para justificar a aliança entre os comunistas e seus inimigos mortais, os nacionalistas de direita do Kuomintang, na defesa do território nacional contra a invasão japonesa:

Por exemplo, o Kuomintang e o Partido Comunista. Tomemos um dos aspectos dessa contradição: o Kuomintang. Como, no período da primeira Frente Única, seguiu as três grandes políticas de Sun Yat-sen (aliança com a Rússia, aliança com o Partido Comunista e ajuda aos operários e camponeses), o Kuomintang conservou o seu carácter revolucionário e o seu vigor, representando a aliança das diferentes classes na revolução democrática. Após 1927, porém, transformou-se no seu contrário, tornando-se num bloco reacionário dos senhores de terras e da grande burguesia. Depois do Incidente de Si-an, em Dezembro de 1936, uma nova mudança começou a produzir-se no seu seio, orientada no sentido da cessação da guerra civil e aliança com o Partido Comunista, com vistas a uma luta em comum contra o imperialismo japonês. Tais são as particularidades do Kuomintang nessas três etapas. Claro que elas resultaram de causas múltiplas. Vejamos agora o outro aspecto: o Partido Comunista da China. No período da primeira Frente Única, o Partido estava ainda na infância. Ele dirigiu corajosamente a Revolução de 1924-1927, mas demonstrou a sua falta de maturidade no modo como compreendeu o carácter, as tarefas e os métodos da revolução, razão por que o tchentusiuismo, surgido no último período dessa revolução, teve a possibilidade de exercer a sua ação e conduzir a revolução à derrota. A partir de 1927, o Partido Comunista passou a dirigir corajosamente a Guerra Revolucionária Agrária, criou um exército revolucionário e bases de apoio revolucionárias, mas cometeu erros de carácter aventureiro, em consequência do que o exército e as bases sofreram pesadas perdas. Depois de 1935, o Partido corrigiu esses erros e dirigiu a nova Frente Única de resistência ao Japão, uma grande luta que está em vias de desenvolvimento. Na etapa atual, o Partido Comunista é um partido que já sofreu a prova de duas revoluções e possui uma experiência rica. Tais são as particularidades do Partido Comunista da China nas três etapas. Igualmente, isso deveu-se a causas múltiplas. Se não se estudam tais particularidades, fica-se impossibilitado de compreender as relações específicas entre o Kuomintang e o Partido Comunista nas diversas etapas do seu desenvolvimento: criação duma Frente Única, ruptura dessa frente, criação de nova Frente Única.

Como se vê, um gênio da política, que consolidou a soberania da nação de maior população do planeta e atualmente maior potência industrial em ascensão econômica no início do século XXI, não vê problemas em fazer frente com reacionários em determinadas situações. Portanto, a frente ampla que Jones combate ingenuamente é uma fantasia teórica.

O Centrão, do coronelismo ao populismo, e a esquerda da anti-política

Além desse polemismo ingênuo contra uma frente ampla enquanto abstração teórica, aproveito também para tratar de uma incompreensão do que é o famigerado Centrão no Congresso Nacional. O Centrão é a expressão do que André Singer chamou de Partido do Interior, cujas raízes declaradas ou não estão no conceito de coronelismo de Victor Nunes Leal.

A passagem para o Brasil urbano e industrial impôs a dinâmica do populismo para uma democracia de massas, mas a representação do “interior” continua existindo e jogando papel determinante na correlação de forças, inclusive mesmo quando transferido para um coronelismo urbano. O coronelismo descrito por Nunes Leal não é a caricatura que a esquerda tem sobre políticos corruptos e enganadores do povo, mas um fenômeno de expressão da relação de setores dominantes com seus eleitorados pobres. Nessa relação não há mera enganação, assim como o líder carismático não engana sua massa de apoiadores no populismo. Existe uma ‘negociação’ concreta, um arranjo de interesses, de um povo que precisa de obras para se transportar, auxílios financeiros para pagar as contas, insumos para trabalhar na terra, recursos materiais e humanos para suas escolas, hospitais, centros esportivos, associações de bairro, e etc. Essa é a “compra de votos” que o coronelismo faz com as emendas parlamentares destinados ao Centrão, que a esquerda chama de “fisiologismo”. De fato, existe pouca ideologia nisso, mas é absurdo considerar ilegítimo que políticos utilizem seus gabinetes para entregar os recursos que puderem obter do governo para suas bases eleitorais em troca de votos por projetos de lei ou eleições no Congresso Nacional.

Outra questão é a participação no governo com cargos em ministérios, empresas estatais e agências reguladoras. Uma coisa é a nomeação de laranjas, funcionários fantasmas, ou mesmo agentes do mercado para realizar corrupção. Outra coisa bem diferente é o interesse legítimo dos partidos que formam uma base de governo de participarem da administração pública. Seria ridículo supor que governos são nomeados com base em critérios técnicos. Esse é apenas um discurso udenista, hipócrita e anti-Estado. Mais do que legítimo, é democrático que partidos e parlamentares ocupem cargos do governo, pois indica a dominância da política e do sufrágio sobre a coisa pública, e não de corporações não-eleitas de ‘especialistas’. Esse discurso das ‘nomeações técnicas vrs. políticas’ é o puro suco da anti-política ou da ‘pós-política’ do neoliberalismo, que busca isolar as políticas públicas da participação popular calcada no voto.

Evidentemente existe muita corrupção nesse processo, desvio de verbas, superfaturamentos, favorecimentos ilegais, e etc., dos quais quem mais se beneficia são de fato oligarquias burguesas de fornecedores de produtos e serviços ao Estado. João Doria, por exemplo, ficou rico e famoso fazendo esse tipo de lobby de rapinagem, e assim que entrou para a política desde muito cedo, primeiro pelo lado privado, e agora como “gestor” público.

Desse modo, a relação entre capital e política é óbvia. Os burgueses financiam os políticos, e eles devolvem esses recursos através dos negócios públicos. Mas o fato é que quem vota é o povo, que precisa ver os serviços, assistências e obras públicas tornarem-se a sua parte nessa complexa relação de interesses. É por isso que os políticos se elegem inaugurando obras, hospitais, escolas, entregando cestas básicas, enfim, levando os interesses concretos para população.

Ora, acusar que o povo votar em quem inaugura uma obra seria ‘clientelismo’ é o cúmulo da incompreensão do Estado capitalista, e no fundo, como já disse, é a expressão da anti-política da esquerda pequeno burguesa. O capitalismo, portanto, a reprodução das condições de acumulação do capital, é o pressuposto da existência do Estado, como já apontei em diversos textos. A luta pelo desenvolvimento nacional parte desse pressuposto, e busca uma reconfiguração estrutural de um país capitalista periférico, dentro da qual ocupa função central a transformação das relações entre a população e os direitos sociais, sem, no entanto, criminalizar essas relações que são fruto justamente do subdesenvolvimento. A industrialização acompanhada pela institucionalização de direitos sociais e distribuição de renda não significa romper a relação direta e material entre os políticos e suas bases eleitorais, pelo contrário, significa transformar qualitativamente essa relação. Uma população com direitos sociais, pleno emprego e salários altos é mais forte para ‘negociar’ tanto com seus representantes políticos quanto com a burguesia. É disso que se trata, politicamente e socialmente, o conceito de trabalhismo a ser levado a cabo pela força populista das massas através do sufrágio eleitoral, e de suas outras representações sindicais e sociais, em busca do desenvolvimento e da soberania nacional.

Inclusive, é isso o que cada grande projeto transformador e rebelde realizou após o surgimento da sociedade industrial, evidentemente, cada um com suas particularidades culturais, institucionais, históricas e nacionais. Mas é possível apontar uma recorrência nessa dialética ‘negocial’ entre organização política e povo, até mesmo na formulação estratégica dos comunistas revolucionários do século passado, pelo menos dos vitoriosos, que a defendiam enquanto política de massas na relação entre o partido e a população, antes ou depois da chegada ao poder. Mao Tse Tung, nos anos 1930 defendia que o Partido Comunista devia fazer o que quer que fosse necessário para a população concreta, até mesmo os casamentos: “resolver questões tais como a de assegurar às massas vestuário, alimentação, alojamento, abastecimento em lenha, arroz, óleo e sal, resolver-lhes os problemas relativos à saúde e à higiene e ainda os problemas relacionados com o matrimônio“. Já Vladimir Lênin, após a Revolução Russa, diante dos problemas de administrar um país continental e semi-feudal, enfrentava o esquerdismo voluntarista dentro do Partido Bolchevique com a seguinte fórmula: “Socialismo = sovietes + eletricidade”. O fato é que para esses gigantes da luta pelo socialismo não era possível fazer a revolução fora das condições históricas e concretas de suas nações, e sua política revolucionária devia estar subordinada a essas condições e não a princípios abstratos. Provavelmente, um intelectual uspiano do PSOL diria que Mao era um coronel fisiológico oferecendo cestas básicas, e Lênin um populista enganador anunciando obras públicas.

Portanto, chamar o Centrão de ladrões burgueses que enganam o povo explica muito pouco da dinâmica real da dominação das formas sociais das trocas através da mercadoria entre os sujeitos de direito e da acumulação de valor no processo produtivo, e menos ainda da formação social brasileira e de suas instituições concretas. Esse salto rápido e sem mediações entre economia e política é o economicismo que também marca o voluntarismo ingênuo que acusa abstratamente as táticas dos atores concretos que disputam o poder no Brasil.

Eu até concordaria com Jones quando ele acusa que denunciar que seu interlocutor não tem alternativa sem discutir o mérito da tática em questão seria uma “manobra de medo” para impor uma determinada posição pela mera negação das críticas. Porém, é curiosa a forma como ele expõe isso: “A retórica do deboche e a ideia falaciosa/reacionária do “cadê as armas”, “cadê a revolução” etc., é uma manobra de MEDO. É a ideia que ao invés de construir alternativa popular e radical, como isso é difícil, temos que nos conformar com o que está posto, não importa sua eficácia”. Primeiro é um pouco de choro hipócrita acusar deboche como algo negativo em si, sendo que é um artifício retórico usado o tempo todo pelo próprio Jones e por qualquer pessoa da luta política, dos gigantes como Marx em suas obras de mil páginas até os youtubers mais radicais do bolsonarismo. Segundo que, de fato, Jones não tem nenhuma alternativa mesmo para apresentar, ao contrário dos revolucionários do passado que formularam suas poderosas teorias da ação política em meio às trincheiras de sangue, suor, lama e neve da clandestinidade no czarismo ou nas selvas africanas, sul-americanas ou asiáticas.

O fato insofismável é que nas lutas concretas da sociedade brasileira, a esquerda radical não joga papel nenhum para além da crítica das táticas de seus adversários da esquerda reformista. Como procurei demonstrar, nesse caso, a crítica de Jones é mero voluntarismo ingênuo baseado em debates teóricos do passado transpostos abstratamente para o cotidiano da política brasileira, onde se discute não o futuro da Internacional Comunista, mas sim dos aparelhos de Estado concretos em disputa hoje no Brasil.

Como já demonstrei em outro artigo, o maior partido supostamente radical do Brasil, o PSOL, se dividiu nessa batalha concreta travada na Câmara dos Deputados. Parte do partido entendeu que era melhor se aliar ao centro neoliberal para enfrentar Bolsonaro, no intuito de negociar posições na mesa e nas comissões da Câmara, enquanto Erundina buscou com sucesso realizar a agitação política para seu gabinete. No entanto, como acontece na história, a frente ampla foi derrotada pela extrema-direita, não porque a tática estava “teoricamente equivocada”, mas porque concretamente Bolsonaro conseguiu romper o seu próprio isolamento e deslocar o Centrão para dentro do governo com a utilização corriqueira do orçamento, exatamente como o PT, e o PSDB, e todos os governos democráticos fazem.

Desse modo, os interesses concretos envolvidos são muito claros, e não tem nada a ver com a discussão abstrata de Jones sobre frente ampla. Por isso seu voluntarismo é tão ingênuo, pois sua posição não joga papel nenhum na conjuntura, apenas o de linha auxiliar do PSOL e do PT. O primeiro partido busca crescer na base social pequeno-burguesa do PT, e o segundo precisa sair do isolamento dentro da própria frente ampla atualmente colocada na conjuntura, e retomar o protagonismo na disputa pela hegemonia política do país.

Dito isso, podemos agora debater a frente ampla de verdade, não o fantasma abstrato da III Internacional, que Breno Altman combate cinicamente.

Breno Altman e o oportunismo cínico do radicalismo de ocasião

O jornalista Breno Altman é o fundador do site Ópera Mundi, importante mídia alternativa de esquerda, e tem uma longa carreira como militante e dirigente do PT. Ao contrário de Jones, Breno joga um papel de verdade na disputa política nacional atuando como formulador da disputa ideológica do petismo na esquerda, mas principalmente como porta-voz informal de José Dirceu, o ex-todo poderoso presidente do PT na preparação do partido no final dos anos 1990 para a chegada ao poder em 2003, quando torna-se ministro-chefe da Casa Civil.

Foi Dirceu que articulou a guinada na imagem de Lula como ‘operário radical’ para estadista moderado e a construção do projeto de gestão do neoliberalismo pela esquerda. Dirceu era o grande articulador político que conduziu os acordos para a formação da base parlamentar do governo Lula com a distribuição de ministérios, enquanto Palocci e Meirelles tocavam a política econômica conservadora. Dirceu era o artífice de bastidores do que os esquerdistas chamam de “conciliação de classes” do governo Lula. Justamente por essa posição central na condução política do governo que Dirceu tornou-se o principal alvo do escândalo do Mensalão, quando Roberto Jefferson, que integrava a base do governo, o acusa de compra de votos no Congresso com financiamento de campanha. Jefferson atualmente faz parte da base de apoio a Bolsonaro no Centrão mesmo condenado e inelegível. Aliás, o corrupto e ainda presidente do PTB cumpriu papel fundamental no deslocamento do Centrão para dentro do governo, pois inicialmente, Bolsonaro governou sem base parlamentar, e somente se submeteu a isso devido à profunda crise política instalada pela pandemia e pelos diversos escândalos de corrupção envolvendo ele e seus filhos.

Desse modo, porque então Breno Altman sustenta essa retórica isolacionista do PT reivindicando os tempos sectários do partido nos anos 1980? Pelo mesmo motivo que Dirceu sustenta a necessidade de uma frente ampla: para proteger os interesses do PT mantendo suas máquinas eleitorais. De um lado é preciso impedir uma aliança ampla sem o comando do PT, como tem sido nos principais embates ao governo Bolsonaro, e de outro construir uma nova aliança em torno da candidatura presidencial petista em 2022.

Breno Altman fala para a militância pequeno burguesa radicalizada na classe média de esquerda, a base social fundadora do PT dos anos 1980 e do PSOL como dissidência e linha auxiliar a partir de 2005. José Dirceu fala para o mundo político institucional, tanto empresarial como partidário. O esporádicos arroubos nacionalistas e populares no discurso de Altman e Dirceu não assusta ninguém, pois essa nunca foi a prática do PT no poder, e muito menos agora cada vez mais enfraquecido e dependente de máquinas estaduais como a do governador da Bahia, Rui Costa. O que importa realmente é a retórica inflamada pelo sectarismo para mobilizar a classe média, e o recado para o centro de que Lula e o poste, Fernando Haddad, estão de braços abertos para retomar a bem-sucedida aliança do período anterior nos rincões do país, inclusive submetidos ao neoliberalismo de Marcos Lisboa.

São os interesses concretos partidários que movem o radicalismo de Breno Altman, ao contrário da retórica abstrata de Jones Manoel. A crise do PT desde a queda de Dilma Rousseff impôs um isolamento cada vez maior ao partido e abriu espaço para outras articulações na centro-esquerda para negociar inclusive com o Centrão e com a direita liberal. Foi assim nas disputas pela extinção do PCdoB na eleição do comando da Câmara após as eleições de 2018 quando PT e PSOL acionaram a cláusula de barreira contra o antigo aliado dos petistas. Naquele momento, PCdoB, PSB e PDT conseguiram negociar as melhores posições com a aliança entre o Centrão e os liberais liderados por Rodrigo Maia. Nas eleições municipais de 2020, a mesma coisa. PDT e PSB consolidaram importantes alianças regionais com PSD, DEM, e etc., enquanto o PSOL cresceu para cima do eleitorado do PT.

A crise e a profunda rejeição ao PT e ao lulismo geraram uma situação na qual é impossível o partido voltar a liderar uma frente ampla como na época em que venceu as eleições no segundo turno de 2002, para governar por 13 anos com apoio de todo o Centrão. Portanto, os setores políticos procuram novas lideranças capazes de aglutinar um projeto de poder alternativo. É contra isso que Breno Altman luta, contra a criação de alternativas não lideradas pelo PT. Em 2018, Lula conseguiu impor Haddad no segundo turno, mas não conseguiu sequer um apoio para além do PSOL contra Bolsonaro. É contra isso que José Dirceu luta, contra o isolamento do PT novamente em 2022.

Frente Ampla e Projeto Nacional

Na disputa pela hegemonia na atual crise estrutural da formação social do Brasil, o PT busca sobreviver como perna esquerda do neoliberalismo com a nomeação de postes do lulismo como Fernando Haddad, enquanto outras forças tentam emergir para recuperar a tradição nacional-desenvolvimentista e trabalhista através da corajosa liderança de Ciro Gomes e seu grupo cearense, a exemplo de seu incrível irmão, Cid Gomes, que parou um motim de policiais militares milicianos literalmente com uma retroescavadeira e carrega uma bala de pistola alojada em seu peito para o resto da vida por isso. Pela direita, a hegemonia neoliberal tucana já colapsou, e busca sobreviver através do ex-lobista João Doria que acumula antipatias profundas na política, seja de seus colegas governadores ou até mesmo dentro de seu partido, cujo controle é imposto apenas pela força coercitiva de seu mandato, para o qual foi eleito como “outsider” da anti-política; ou então, através de Luciano Huck, o animador de auditório da Globo teleguiado por Armínio Fraga e Paulo Hartung para ser o lastro eleitoral do cartel de bancos e do monopólio de mídia.

O Centrão, no presente momento, encontra-se onde sempre busca estar, no governo, mas seu compromisso como sempre não é ideológico, apenas negocial, concreto e momentâneo. O Centrão nunca é hegemônico, mas hegemonizado, justamente por não ter um projeto para o país, mas apenas ser um ajuntamento para negociar interesses concretos. É um projeto hegemônico com perspectiva de poder que dirige para onde vai o Centrão. A criação desse ajuntamento é justamente obra da transição neoliberal. A crise da hegemonia dos militares da Ditadura que não precisava se submeter ao Congresso e podiam negociar diretamente com a burguesia o seu projeto concentrador de renda associado ao imperialismo, gerou a institucionalização dessa representação amorfa dos interesses do interior durante a Constituinte.

No período nacional-populista liderado pelo PTB, o interior se organizava no PSD, também fundado por Vargas, partido que congregava diversas oligarquias regionais e setores urbanos mais conservadores. Era a hegemonia do trabalhismo que liderava o interior.

Na hegemonia neoliberal, liderada por PSDB pela direita e PT pela esquerda, o Centrão se fortaleceu, tornando-se cada vez mais essencial nas bases parlamentares dos governos. Mas apontar essa situação como eterna é a consagração não apenas da anti-política moralista, como do voluntarismo ingênuo tanto da posição economicista de considerar a política mera expressão dos interesses da burguesia dependente, como da posição politicista de inviabilizar a revolução nacional através de suas próprias condições históricas e culturais, exigindo a importação das instituições e ideologias das nações cujos processos libertadores foram liderados pelos comunistas. Isso tudo, considerando o esforço teórico de um esquerdismo radical para pensar a revolução brasileira, mas na prática, tendo uma posição voluntarista que apenas cumpre papel de linha auxiliar do oportunismo cínico da esquerda neoliberal.

Para concluir, aqui sim uma proposição estratégica calcada na história concreta. A revolução nacional do Brasil iniciada em 1930:  1) foi realizada por uma frente ampla do tenentismo com as oligarquias dissidentes e positivistas do interior contra a hegemonia da aliança entre a burguesia rural de São Paulo com o imperialismo; 2) foi consolidada pelo populismo trabalhista do sindicalismo urbano conquistador de direitos sociais; 3) foi interrompida por um golpe finalmente vitorioso, em 1964, após diversas tentativas impedidas em 1954 e 1961 por essas frentes amplas entre a representação política do interior do Brasil e o trabalhismo populista; 4) A conclusão da revolução nacional do Brasil somente será possível com a reconstrução dessa aliança entre o Brasil profundo e real do interior, com suas representações concretas, e o Projeto Nacional de Desenvolvimento encabeçado por um neotrabalhismo lastreado nessa herança simbólica e material de seu fundador Getúlio Vargas e seu maior continuador Leonel Brizola – derrotado em 1964, em 1989 e 1994, mas que deixou um legado político e ideológico imortal para o povo brasileiro.

Jones Manoel e Breno Altman voluntarismo ingênuo e oportunismo cínico frente ampla

 

1 Comentário

  • Sinceramente vejo com tristeza que o LuloPetismo consegue ser mais nocivo ao Brasil do que o Bolsonaro… se o Poste novamente teimar com essa candidatura, vamos ter o mesmo resultado de 2018… por isso é #ciro2022 ou nulo…

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