Depois da votação da água, a Frente Ampla se torna ainda mais necessária!

Muita gente de esquerda a quem respeito, ativistas dedicados e qualificados, tem dito que depois da votação do PL que abre a possibilidade de privatização do saneamento não há mais possibilidade de se pensar em frente ampla. Respeitosamente quero dizer: estão enganados. Ela se tornou ainda mais necessária, ainda mais quando a pandemia avança.

(Evidentemente não falo aqui dos puristas de ocasião, de gente que deu as mãos ao esgoto da política brasileira por mais de uma década e que agora posa de querubim).

A FRENTE – bloco, ajuntamento, convergência, o nome pouco importa – para tirar Bolsonaro do poder tem esse propósito único e específico. Independentemente da vontade da esquerda, ela está se formando. O motivo principal é que o Boçal se tornou disfuncional para a turma da grana e para os grandes negócios.

Vale repetir: o pilantra não será expelido do poder com ação de apenas um setor social. Além dos votos no Congresso ou da vontade dos membros do TSE, vamos precisar das ruas, algo impossível de se ter em tempos de cavalgada da doença.

Alianças, já escrevi, se fazem com nariz tapado. Recomenda-se que se lavem as mãos em seguida. Mas alianças são fundamentais.

A FRENTE PELO FIM DO GOVERNO Bolsonaro reunirá militantes aguerridos, juventude, trabalhadores, desempregados, estudantes, gente das periferias, negros, índios amarelos, brancos e – sejamos realistas – canalhas, picaretas, interesseiros, ratazanas, burgueses, privatistas, golpistas, aliados arrependidos da extrema-direita etc. etc. Ou seja, será um amálgama extremamente representativo do Brasil real. Terá de ser assim ou não terá força.

Essa frente – repetindo! – tem como tarefa a derrubada de Bolsonaro e se constitui como espaço de disputa. O ato desta sexta é também o local para se falar da privatização da água, dos direitos dos trabalhadores, da soberania nacional, do combate ao racismo, à lgtbfobia, à misoginia, ao preconceito de classe e muito mais. A palavra nas plataformas virtuais é franqueada e livre aos participantes.

PREGAR PELA AUSÊNCIA DO EVENTO significa renunciar à uma arena privilegiada de luta política. Significa não somar esforços para que o fim do governo não seja apenas obra da velha direita.

Depois da votação de quarta, quando esses setores mostraram o que pretendem no pós pandemia e no pós Bolsonaro – hoje rigorosamente a mesma coisa – a adesão à frente ampla, amplíssima se faz ainda mais necessária. Abster-se do evento significa renunciar a disputar a direção do movimento pelo fim do governo.

Depois da votação da água, a Frente Ampla se torna ainda mais necessária! gilberto maringoni

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