O que esperar de Weintraub e do MEC com o coronavírus

Certamente Weintraub não contava com essa. O discurso sobre a ciência e seus pesquisadores como balbúrdia, que ele e seus soldados buscaram incessantemente tornar popular, sendo contraposto de maneira tão intensa e extensa para todo o mundo, em cenário que nos coloca, por completo, em razão dela e de suas descobertas. Nada como um dia após o outro. E, como nunca, ele tendo de se portar como um Ministro… Possivelmente essa ele também não imaginava.

E o que esperar do MEC neste contexto nebuloso e novo?

Do ensino básico ao superior, medidas têm de ser tomadas de forma enérgica e em relação intrínseca com a economia, em uma equação cuidadosa que permita isolar a população e diminuir a circulação e propagação do vírus, sem que um país, já em crise, seja devastado economicamente, somado às necessidades básicas que tantas famílias possuem e que têm na escola uma salvaguarda para suas crianças.

Em um país que possui 47,8% de sua infância à sorte da pobreza, de acordo com pesquisa da Fundação Abrinq de 2019, divulgado pelo Relatório da Infância e Adolescência no Brasil; e que 2,5% da população passou fome em 2017, o que corresponde a 5,2 milhões de pessoas, apenas oferecer refeições na escola, ou regulamentar o ensino à distância, pode não ser suficientes para evitar a desnutrição infantil e outras doenças, e até mortes, a que podem estar destinadas essa geração de crianças pobres e miseráveis.

O Ministro twittou pela manhã de hoje, dia 20 de março, que sua expectativa é a de que em dois ou três meses a frequência escolar seja retomada de forma regular. Mas sua perspectiva não se refere em respaldar e amparar a população que necessita da escola, mas em lançar as novas escolas cívico-militares ao fim da pandemia, disseminando vídeo comercial que manifesta as supostas vantagens deste modelo educativo, enquanto nossa população pode agonizar diante da pandemia.

E o que esperar do Ensino Superior? Weintraub garante que as bolsas serão mantidas e desmente boatos sobre cortes. Há no portal da CAPES orientações quanto à questão. Contudo, eu mesma, estudante de Doutorado em Educação pela UNICAMP, que retornei de missão internacional antecipada, no dia 13 de março, ainda não obtive resposta de minha instituição sobre a recomposição de minha bolsa de estudo, que ficaria inicialmente suspensa até maio, em razão da estada no exterior. Além disso, o meu tipo de caso não consta nas orientações do Portal da agência de financiamento.

O MEC também anuncia duas medidas para o Ensino Superior que devem ocorrer nos próximos dias. Um delas diz respeito à prorrogação de prazo, em um mês – de março para abril-, nos registro dos dados de trabalhos acadêmicos finalizados no ano passado. A outra medida se refere à extensão do prazo de defesas de Teses e Dissertações em 60 dias, ou a realização das mesmas por videoconferência. Esperemos as medidas, sobretudo para os pesquisadores que, como no meu caso, possuem crianças em casa.

E não seria possível finalizar a reflexão sem apontar as lambanças do MEC, que não deixaram de existir nem mesmo agora. Depois da “paralização”, “impressionante” e a troca de “onde” por “aonde”, o vídeo divulgado ontem pelo Ministério, sobre as novas orientações do órgão frente o Covid-19, traz o comunicador dizendo sobre a recomendação da suspensão de “Testes e dissertações presenciais de cursos de Pós-graduação”. Ou seja, mais uma vez fica exposta a ignorância do Ministro e sua equipe sobre o Campo acadêmico e, em particular, o desconhecimento e a diferença entre um teste e uma Tese de Doutorado, termo correto a ser utilizado na frase.

O que esperar de Weintraub e do MEC com o coronavírus

1 Comentário

  • Grande reflexão! Realidade nua e crua feita por uma especialista na área da Educação!

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